A integração entre tecnologia, sociedade e educação é uma questão bastante atual, colocada em debate por todos aqueles que discutem a história da educação, a pedagogia e as relações sociais no mundo atual. Hoje é quase impossível viver sem ter contato com uma dessas máquinas. Exemplo: quando vamos pagar nossas contas, quando precisamos fazer exames, no simples ato de assistir televisão, ou seja, a presença da informática torna-se indispensavelmente uma ferramenta de comunicação entre os homens. A ideia original foi utilizar as tecnologias com o objetivo de mediar às relações humanas com a natureza para proporcionar melhorias no bem estar coletivo, mas hoje em dia é usada para muitas outras coisas.
Pensemos na educação como um espaço de socialização de indivíduos e a escola como instrumento capaz de capacitar pessoas para o mercado de trabalho, cada vez mais competitivo, além de pôr em contato pessoas de classes populares com o conhecimento sistematizado, faz-se necessário, também, discutir a presença ou a ausência das formas de tecnologia no mundo escolar e suas utilizações.
A sociedade da evolução
Na Revolução Industrial, que ao longo do tempo foi concentrando a humanidade em grandes cidades, o uso das tecnologias assumiu conotações mais fortes. Neste sentido, não podemos aprofundar nossa discussão sem buscar um maior entendimento sobre as relações entre os avanços tecnológicos, o modelo social e a economia vigente. A atual fase de incessantes avanços tecnológicos é, ao mesmo tempo, causa e resultado de mudanças na forma de vida das pessoas. Eles provocam essas mudanças porque os produtos são lançados no mercado com o objetivo de gerar novas necessidades, de consumo geral, nas pessoas as quais, por sua vez, suscitam novas necessidades de avanços tecnológicos. Esse efeito se repete em uma espiral ascendente, cujo limite é apenas o poder de compra dos mercados. Sob essa lógica, as tecnologias têm papel fundamental no fortalecimento dos mercados. A cada novo "avanço" corresponde uma nova necessidade criada nos consumidores e cada compra gera a necessidade de um novo "avanço". É necessário suscitar novas necessidades para mover o mercado, pois a espiral não pode deixar de crescer em nome do bem-estar da economia mundial.
O problema é que só participam dessa overdose de consumo pequena parcela da população considerada incluídos, os demais ficam fora de qualquer possibilidade de acesso. Portanto, a questão deve ser discutida em torno do fato de que essas diferenças não foram construídas aleatoriamente, nem foram os excluídos que contribuíram para esse quadro. A origem está justamente no pólo oposto, ou seja, a elevada concentração de riquezas nas mãos de poucos.
Integração da tecnologia com o processo de ensino-aprendizagem
Essas grandes mudanças de hábitos, costumes e cultura faz com que toda sociedade sofra consequências. A escola e a educação (não dada somente no ambiente escolar), por sua vez, são as mais afetadas. Afinal, em uma cultura que sofre constantemente mudanças, as pessoas, instituições, mercados e tudo aquilo que forma a sociedade muda, mesmo que de forma lenta e gradual. Diz o senso comum que as escolas são instituições refratárias às inovações, que as mudanças sociais e de comportamento são incorporadas pelas mesmas, apenas depois de já incorporadas pela sociedade. Adotando essa visão, concluímos que as escolas são, naturalmente, instituições em descompasso com as mudanças que acontecem ao seu redor. Queremos então, abrir uma discussão entre a integração da tecnologia com a educação em um âmbito social.
É notável a grande desigualdade social e econômica que há em nosso país. Podemos perceber a diferenciação existente entre as escolas das regiões centrais e urbanizadas e as escolas rurais e periféricas, onde a educação é, muitas vezes, precária. Falta, em algumas dessas instituições, uma boa estrutura, boa qualificação dos professores, no caso da região rural, pode ocorrer à falta de energia. O que impossibilita o acesso dos alunos à informática e outras tecnologias. A ausência de recursos financeiros traz consigo a impossibilidade de contato dos alunos e professores com a tecnologia. Devido a essa carência há um grande atraso no desenvolvimento educativo e profissional desses indivíduos. Acredita-se que um indivíduo sem conhecimentos básicos sobre informática será marginalizado social e profissionalmente.
Há hoje diversos estudos que buscam redimensionar a prática educativa e valorizar a utilização da informática como ferramenta pedagógica, que facilite aos estudantes o desenvolvimento das habilidades cognitivas. Ao mesmo tempo, corre-se o risco de discutir a informática educativa como forma de resolução dos problemas educacionais e o computador ser o elemento mais importante da relação pedagógica, ao invés de apenas auxiliar no processo de ensino.
Como já vimos, o uso do computador vem sendo muito difundido em todo o país, mas é utilizado, muitas vezes, como chamariz mercadológico ou como um equipamento para atividades extra-classe, raramente é utilizado como ferramenta pedagógica. O computador pode ser uma ferramenta de experimentação, um espaço onde o aluno possa procurar e, aos poucos, dominar uma nova linguagem. Pressupõe-se também uma mudança no modo de utilização do computador dentro do ambiente escolar, podendo ser incluso em diversas atividades. Deixando de ser utilizado apenas na disciplina de Informática.
Sem desmerecer essa iniciativa que tem como pontos positivos o fato de oferecer uma qualificação ainda que mínima aos alunos e, principalmente, de aproximar a comunidade da escola, é preciso afirmar que essa prática está ainda muito distante das reais possibilidades de um trabalho pedagógico com a informática. Na verdade, continuam sendo reafirmadas as práticas pedagógicas tradicionais e a informática sendo utilizada como mera disciplina, completamente isolada do mundo pedagógico e da relação ensino-aprendizagem.
Apesar de todos os questionamentos colocados, não se pode negar a presença da informática na sociedade atual, não sendo possível, portanto, ignorar essa realidade quando se quer pensar o sistema educacional e as relações sociais que o mesmo se enquadra.
Seja como for, o grande desafio diante da revolução tecnológica que se faz cada vez mais presente na educação e no cotidiano da população de todo o planeta é integrar tecnologia, sociedade e educação de forma que a sociedade saia ganhando com o desenvolvimento da tecnologia gerada, por sua vez, por uma boa educação.

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